A série de Notas Informativas pretende divulgar análises curtas relativas a temáticas atuais sobre o sector da saúde. A presente Nota Informativa analisa a evolução da prevalência de doenças crónicas em Portugal entre 2017 e 2025, procurando distinguir em que medida o aumento observado resulta do envelhecimento populacional ou de um agravamento da carga de doença dentro dos próprios grupos etários.
Os resultados mostram que a percentagem de pessoas com doença crónica aumentou de 28% para 36%, enquanto a multimorbilidade registou um crescimento expressivo, atingindo 19% da população. No entanto, este aumento não é explicado maioritariamente pelo envelhecimento demográfico. Pelo contrário, cerca de 71% do crescimento da prevalência de doença crónica (e 87% da multimorbilidade) resulta de um agravamento da carga de doença dentro dos próprios grupos etários, evidenciando uma tendência de expansão da morbilidade ao longo de todo o ciclo de vida adulto.
A análise revela ainda que este agravamento não se limita às idades mais avançadas, sendo também observado em grupos mais jovens, o que aponta para uma alteração estrutural no perfil de saúde da população. Paralelamente, identifica-se um acentuar significativo das desigualdades socioeconómicas: em 2025, indivíduos em situação de maior privação económica apresentavam uma probabilidade substancialmente superior de sofrer de doença crónica, enfrentando simultaneamente maiores barreiras no acesso a cuidados de saúde – uma desigualdade que se agravou desde 2017.
Conter esta trajetória requer reforço da prevenção, modelos integrados de gestão da doença e políticas orientadas pela equidade, com impacto proporcionalmente maior onde a necessidade é maior.
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Este relatório faz parte da Iniciativa para a Equidade Social, uma parceria entre a Fundação "la Caixa", o Banco BPI e a Nova SBE.
Autores: Pedro Pita Barros e Carolina Santos